Saturday, August 27, 2016

Querem uma Luz Melhor que a do Sol!

Querem uma Luz Melhor que a do Sol!

AH! QUEREM uma luz melhor que 
a do Sol! 
Querem prados mais verdes do que estes! 
Querem flores mais belas do que estas 
que vejo! 
A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me. 
Mas, se acaso me descontentam, 
O que quero é um sol mais sol 
que o Sol, 
O que quero é prados mais prados 
que estes prados, 
O que quero é flores mais estas flores 
que estas flores - 
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira! 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 

Friday, August 26, 2016

Onde Está Seu Olhar

Another wonderful contribution from Portugal-

" Onde está seu olhar"
Disseram-me outro dia ao passar
Porque vai triste
Onde está seu olhar?

Meus olhos sorriram então
Serei eu que estou triste
Ou é a mágoa em seu coração?

A minha alegria inebria
Quem passa de alma vazia
Levo eu o mundo na mão
Ou tudo não passa de uma contradição?

Pobres dos que olhando
Não veem
Que leem afinal sua sina
Julgando olhar a minha

Ana Beatriz Carvalho 

Wednesday, August 24, 2016

Poetry and Humanity

Poetry comes from a sense of caring about something so much you need to write about it, try to define and convey your passion for it. Truer would be to say it is emotion that is exploding from every orifice, including skin pores. Poetry says everything a vast majority of people are both afraid to hear and say-but feel almost everyday. If there were no trace of poetry on this planet, there would be less evidence, in fact vital evidence would be missing for the future generations to be reminded about what beautiful, deep,universally connected creatures we really are. Poetry is our connection to our trueselves, so easily lost along the way.
'You are an accumulation of what you do. Imagine if after everything you did, you were not the real you.'
(Gerry Aldridge ©2016)
Painting by Thomas Eakins



Sunday, August 21, 2016

Love

MARIA:
Amo como o amor ama.
Não sei razão pra amar-te mais que amar-te.
Que queres que te diga mais que te amo,
Se o que quero dizer-te é que te amo?
Não procures no meu coração...
Quando te falo, dói-me que respondas
Ao que te digo e não ao meu amor.
Quando há amor a gente não conversa:
Ama-se, e fala-se para se sentir.
Posso ouvir-te dizer-me que tu me amas,
Sem que mo digas, se eu sentir que me amas.
Mas tu dizes palavras com sentido,
E esqueces-te de mim; mesmo que fales
Só de mim, não te lembras que eu te amo.
Ah, não perguntes nada, antes me fala
De tal maneira, que, se eu fora surda,
Te ouvisse toda com o coração.
Se te vejo não sei quem sou; eu amo.
Se me faltas, (...)
Mas tu fazes, amor, por me faltares
Mesmo estando comigo, pois perguntas
Quando deves amar-me. Se não amas,
Mostra-te indiferente, ou não me queiras,
Mas tu és como nunca ninguém foi,
Pois procuras o amor pra não amar,
E, se me buscas, é como se eu só fosse
O Alguém pra te falar de quem tu amas.
Diz-me porque é que o amor te faz ser triste?
Canso-te? Posso eu cansar-te se amas?
Ninguém no mundo amou como tu amas.
Sinto que me amas, mas que a nada amas,
E não sei compreender isto que sinto.
Dize-me qualquer palavra mais sentida
Que essas palavras que, como se as perderas,
buscas
E encontras cinzas.
Quando te vi, amei-te já muito antes.
Tornei a achar-te quando te encontrei.
Nasci pra ti antes de haver o mundo.
Não há coisa feliz ou hora alegre
Que eu tenha tido pela vida fora,
Que não o fosse porque te previa,
Porque dormias nela tu futuro,
E com essas alegrias e esse prazer
Eu viria depois a amar-te. Quando,
Criança, eu, se brincava a ter marido,
Me faltava crescer e o não sentia,
O que me satisfazia eras já tu,
E eu soube-o só depois, quando te vi,
E tive para mim melhor sentido,
E o meu passado foi como uma estrada
Iluminada pela frente, quando
O carro com lanternas vira a curva
Do caminho e já a noite é toda humana.
Tens um segredo? Dize-mo, que eu sei tudo
De ti, quando m'o digas com a alma.
Em palavras estranhas que m'o fales,
Eu compreenderei só porque te amo.
Se o teu segredo é triste, eu saberei
Chorar contigo até que o esqueças todo.
Se o não podes dizer, dize que me amas,
E eu sentirei sem qu'rer o teu segredo.
Quando eu era pequena, sinto que eu
Amava-te já hoje, mas de longe,
Como as coisas se podem ver de longe,
E ser-se feliz só por se pensar
Em chegar onde ainda se não chega.
Amor, diz qualquer coisa que eu te sinta!
FAUSTO:
Compreendo-te tanto que não sinto.
Oh coração exterior ao meu!
Fatalidade filha do destino
E das leis que há no fundo deste mundo!
Que és tu a mim que eu compreenda ao ponto
De o sentir...?
MARIA:
Para que queres compreender
Se dizes qu'rer sentir?
Fernando Pessoa

Saturday, August 20, 2016

A Single Sneeze

A Single Sneeze
A single sneeze
And the universe stumbles.
For a split second
Everything is real.


All the little people
Living inside my head
Scurry around hysterically,
In search of sanity again.
And I see nothing.


A sneeze comes bursting out.
My eyes shut tight,
And for a second
I am not there.


What if I resisted
And kept my eyes from closing?
I wonder what I’d see
In the chaos of a dishevelled mind.


If my eyes stayed open
And my skull
Burst at the seams,
Would my mind
Come tumbling out,
Shot from the barrel of a sneeze
Splatter over land and sea?


Would all the little people
Seize the chance
Come rushing out,
And then to run away?
Leave me empty
Of all thought,
And with nothing
Left to say?


Perhaps it would be nice
To lose them
All in one foul sneeze.


I could start my life again.
Like a butterfly
Chase new dreams,
Flitting somewhat recklessly
Upon a feisty, summer breeze.
(Gerry Aldridge © 2016)




Monday, August 15, 2016

How does a memory become a dream?

How does a memory become a dream?
I know it was the truth once,
But it is elusive,
Then vivid.
Vivid, elusive, elusive, vivid.
I cannot remember
If I found you,
Or lost you-
And in which order?
So where are you now?
Lost, or found?
With me?
Without me?
The answer torments me with its vividness
And scorns me with its elusiveness.
I know where you are,
But I am not in the right place
To go there,
(Gerry Aldridge 2016)
Photo Alain Laboile

Sunday, August 14, 2016

Dust

Dust
My heart opened and all my feelings flew
On a feisty, flirty breeze to you,
But you were so far away
By the time they arrived
They were autumn leaves-
Crisp and dry.
Time and distance
Were not harsh, or unfair.
But one gust
And I disintegrate
Make love with the air.
Ah ah to court with butterflies!
As dust you are always somewhere.
When I was a leaf
I was there
But only there.
Now I am crushed
I am everywhere
(Gerry Aldridge 2016 )