Monday, May 30, 2016

Hymne au soleil


Hymne au soleil

Je t'adore, Soleil ! ô toi dont la lumière, 
Pour bénir chaque front et mûrir chaque miel, 
Entrant dans chaque fleur et dans chaque chaumière, 
Se divise et demeure entière 
Ainsi que l'amour maternel !

Je te chante, et tu peux m'accepter pour ton prêtre, 
Toi qui viens dans la cuve où trempe un savon bleu 
Et qui choisis, souvent, quand tu veux disparaître, 
L'humble vitre d'une fenêtre 
Pour lancer ton dernier adieu !

Tu fais tourner les tournesols du presbytère, 
Luire le frère d'or que j'ai sur le clocher, 
Et quand, par les tilleuls, tu viens avec mystère, 
Tu fais bouger des ronds par terre 
Si beaux qu'on n'ose plus marcher !

Gloire à toi sur les prés! Gloire à toi dans les vignes ! 
Sois béni parmi l'herbe et contre les portails ! 
Dans les yeux des lézards et sur l'aile des cygnes !
Ô toi qui fais les grandes lignes 
Et qui fais les petits détails!

C'est toi qui, découpant la soeur jumelle et sombre 
Qui se couche et s'allonge au pied de ce qui luit, 
De tout ce qui nous charme as su doubler le nombre, 
A chaque objet donnant une ombre 
Souvent plus charmante que lui !

Je t'adore, Soleil ! Tu mets dans l'air des roses, 
Des flammes dans la source, un dieu dans le buisson ! 
Tu prends un arbre obscur et tu l'apothéoses ! 
Ô Soleil ! toi sans qui les choses 
Ne seraient que ce qu'elles sont !




Wednesday, May 25, 2016

Denial

The worst thing about denial isn't that you destroy dreams, but that you destroy destiny.
(Gerry Aldridge ©2016)

Sunday, May 22, 2016

Impossível

Impossível

Nós podemos viver alegremente, 
Sem que venham com fórmulas legais, 
Unir as nossas mãos, eternamente, 
As mãos sacerdotais. 

Eu posso ver os ombros teus desnudos, 
Palpá-los, contemplar-lhes a brancura, 
E até beijar teus olhos tão ramudos, 
Cor de azeitona escura. 

Eu posso, se quiser, cheio de manha, 
Sondar, quando vestida, pra dar fé, 
A tua camisinha de bretanha, 
Ornada de crochet. 

Posso sentir-te em fogo, escandescida, 
De faces cor-de-rosa e vermelhão, 
Junto a mim, com langor, entredormida, 
Nas noites de verão. 

Eu posso, com valor que nada teme, 
Contigo preparar lautos festins, 
E ajudar-te a fazer o leite-creme, 
E os mélicos pudins. 

Eu tudo posso dar-te, tudo, tudo, 
Dar-te a vida, o calor, dar-te cognac, 
Hinos de amor, vestidos de veludo, 
E botas de duraque 

E até posso com ar de rei, que o sou! 
Dar-te cautelas brancas, minha rola, 
Da grande loteria que passou, 
Da boa, da espanhola, 

Já vês, pois, que podemos viver juntos, 
Nos mesmos aposentos confortáveis, 
Comer dos mesmos bolos e presuntos, 
E rir dos miseráveis. 

Nós podemos, nós dois, por nossa sina, 
Quando o Sol é mais rúbido e escarlate, 
Beber na mesma chávena da China, 
O nosso chocolate. 

E podemos até, noites amadas! 
Dormir juntos dum modo galhofeiro, 
Com as nossas cabeças repousadas, 
No mesmo travesseiro. 

Posso ser teu amigo até à morte, 
Sumamente amigo! Mas por lei, 
Ligar a minha sorte à tua sorte, 
Eu nunca poderei! 

Eu posso amar-te como o Dante amou, 
Seguir-te sempre como a luz ao raio, 
Mas ir, contigo, à igreja, isso não vou, 
Lá essa é que eu não caio! 

Cesário Verde, in 'O Livro de Cesário Verde' 






Wednesday, May 18, 2016

Feira De Artesanato de Estoril 2016

We are busy getting ready for the Feira De Artesanato de Estoril 2016- We will be there with a stand full of beautiful pieces for the home, both practical and decorative- See you there from 8th August-21st August inclusive. smile emoticon Contact -  gerryonimo@hotmail.com for further info :)
https://www.facebook.com/feiradeartesanatodoestoril/





Monday, May 16, 2016

Whispers In The Wind.

What happens to thoughts
That are not said,
Whispered in secret
To the wind instead?
Seagulls catch them
In their famished beaks,
And spit them out
When you dare to speak.
(Gerry Aldridge 2016)

Thursday, May 12, 2016

Ah Deixem-me Dormir!

Ah Deixem-me Dormir!
O Poeta
Olá, bom velho! é aqui o Hotel da Cova,
Tens algum quarto ainda para alugar? 
Simples que seja, basta-me uma alcova...
(Como eu estou molhado! é de chorar...)
O povo
O luar averte as orvalhadas sobre a rua!
Jezus! que lindo...
Vamos! depressa! Vem, faze-me a cama,
Que eu tenho somno, quero-me deitar!
Ó velha Morte, minha outra ama!
Para eu dormir, vem dar-me de mamar...
A Sra Julia
São as Janeiras da Lua!
O Coveiro
Os quartos, meu senhor, estão tomados
Mas se quizer na valla (que é de graça...)
Dormem, alli, somente os desgraçados:
Têm bom dormir... bom sitio... ninguem passa...
O Zé dos Lodos
A lua é a nossa vacca, ó Maria!
Mugindo...
Ainda lá, hontem, hospedei um moço
E não se queixa... E ha-de poupal-o a traça,
Porque esses hospedes só trazem osso,
E a carne em si, valha a verdade, é escassa.
O Dr. Delegado
A noite parece dia!
O Poeta
Escassa, sim! mas tenho ossada ainda,
Emquanto que a alma, ai de mim! nada tem...
Guia-me ao quarto... (a lua vae tão linda!)
Dize-me: quantos annos me dás? Cem?
O Sr. Abbade
E esta? Em vez de trazer a opa que é de logar
Trouxe a d'anjinho!
A Mulher do Moleiro
É o luar, Sr. Abbade, é o luar...
Oh cem! E os que eu não mostro e o peito guarda...
Os teus mortinhos, sim! dormem tão bem:
«Dormi, dormi! que vossa mãe não tarda,
Foi lavar á Fontinha de Belem...»
O Astronomo
Isto lunar assim! Isto é o verao
De S. Martinho!
O Coveiro
Aqui. Fica melhor do que em 1^a:
Colxão assim não acha em parte alguma!
Os outros são de chumbo, de madeira,
Mas este, veja bem, é sumauma...
O Cego do Cazal
Faz solzinho, que horas são?
Cantando:
«Colxão de raizes e de folhas, lizo,
Lençoes de terra brandos como espuma,
Dal-os-ei ao rol, no Dia de Juizo...»
Prompto. Quer mais alguma coiza? Fuma?
Carlota
Ó luar, anda mais devagarinho!
Deixa dormir o meu menino...
Coitadinho!
O Poeta
Mais nada. Boas-noites. Fecha a porta.
(Que linda noite! Os cravos vão a abrir...
Faz tanto frio)! Apaga a luz! (Que importa?
A roupa chega para me cobrir...)
A Mãe do Poeta
Aqui, espero-te, ha que tempo enorme!
Tens o logar quentinho...
Toma lá para ti, guarda. E ouve: na hora
Final, quando a Trombeta além se ouvir,
Tu não me venhas acordar, embora
Chamem... Ah! deixa-me dormir, dormir!
Deus
Dorme, dorme.
António Nobre, in 'Só'
Painting- Jason Bard Yarmosky.

Saturday, May 7, 2016

Where do all the words go?

If you think you have control of the words you write- think again. I never in a million years could have imagined where they would go and the effect they could potentially have on the world...for good  or for bad..

Friday, May 6, 2016

DisMusic

DisMusic
Cool and funky.
Not too rough,
Not too smooth.
It got that taste,
You know-
The one that
Make you groove.
(Gerry Aldridge)


https://www.youtube.com/watch?v=IVr0kqRB2G0